Paralelo entre a O Princípio do Gênero (O Caibalion) e Animus e Anima (Jung)


DEPOIMENTO INTRODUTÓRIO

Ao sermos instigados a fazer a leitura do Livro “O Caibalion”, que traz o estudo da filosofia hermética do antigo Egito e da Grécia, a priori, parecia ser uma tarefa simples de ser executada. Porém, ao iniciar essa jornada, foi possível constatar em meu próprio ser, o quanto eu ainda preciso caminhar para conhecer a mim mesma e o funcionamento das Leis Universais. É importante dizer que esse trabalho me trouxe um sentimento de estar captando os mais belos nutrientes acadêmicos (que nos são ofertados em sala de aula voltados para Jung) com nutrientes extraescolares, como no caso dessa leitura que nos foi orientada.

Um livro intrigante, de autoria desconhecida, publicado por volta de 1908. Sua leitura tornou-se para mim um desafio e perpassou por diversas complexidades internas do meu ser, ao mesmo tempo em que me intrigava cada dia mais e me deixava extasiada após a leitura. Entender as mensagens do livro? Não consegui captar a profundidade de todas até o momento. Tenho certeza disso! É um livro que requer leituras e releituras, num processo contínuo. Preciso de mais crescimento emocional, intelectual e espiritual para reler, reler e reler novamente essa obra e poder aferir os diversos pontos de vista que mudarão durante essa jornada de estudos.

O livro, apesar ter capítulos independentes, no fundo se mostram ricos em conexões e em complexidades. Sem os vídeos da filósofa Lúcia Helena Galvão, afirmo aqui que o meu entendimento sobre as 7 (sete) Leis Universais teria sido muito inferior e mais superficial. Poder contar com a leitura do livro e as 15 explicações da filósofa foi e sempre será uma experiência enriquecedora e contínua, pois a cada leitura e escuta foi possível e sempre será possível absorver e internalizar esses conhecimentos que devem inspirar nossos pensamentos e comportamentos, diante de mim mesma para que eu possa ir em direção ao meu encontro com o Todo. Obrigada por estarem cuidando da “chama” e passando essa “chama”, essa “divina chama” para todos nós.


TAREFA A SER EXECUTADA: traçar um paralelo entre a O Princípio do Gênero (O Caibalion) e Animus e Anima (Jung)

A escolha por traçar um paralelo entre a O Princípio do Gênero e o Animus e Anima da teoria de Jung, foi a opção escolhida por me possibilitar discorrer com mais segurança sobre o assunto e com menos risco de erros conceituais. Porém, é preciso ressaltar que durante a leitura e a escuta das falas/explicações da filósofa Galvão, foi possível observar a presença de diversos ensinamentos da Psicologia Analítica em vários momentos em que depurávamos os conceitos do livro.

Importante também destacar que a Apostila da Academia de Terapeutas – Pressupostos Teóricos III, também trouxe para os leitores uma análise entre o Princípio do Gênero e os ensinamentos de Jung.

Para traçar esse paralelo exponho aqui alguns escritos (frases) retiradas do livro O Caibalion e outras frases sobre o que Jung define como Animus e a Anima para que, posteriormente, possamos inferir sobre esses conceitos que abarcam nossa existência.

No estudo sobre o Caibailion, as frases abaixo ecoam, a meu ver, os principais aspectos sobre O Princípio de Gênero. Como a leitura desse livro foi realizada por meio de um leitor de livros digital (Kindle), não foi possível determinar as páginas das citações devido as configurações não serem as mesmas do livro impresso.

  1. Tudo tem seu princípio masculino e seu princípio feminino (todas as coisas e todas as pessoas);

  2. O Gênero se manifesta em todos os planos (físico, mental e espiritual) e estão sempre em ação;

  3. Esse princípio opera sempre na direção da criação, geração, regeneração (criar, produzir, gerar);

  4. O significado é mais extenso e mais geral que o termo Sexo, que é algo físico/da vida orgânica;

  5. Cada princípio é incapaz de ter energia operativa sem o outro;

  6. Em muitas formas de vida, os dois princípios estão combinados em um só organismo.


Já nos estudos sobre a teoria de Jung (Psicologia Analítica) esforcei-me para “pinçar” em alguns livros, frases que pudessem compor o paralelo de acordo com os principais aspectos sobre O Princípio de Gênero. Declaro não ter realizado a leitura integral de todas as obras citadas, mas o trabalho de pesquisar foi de grande valia para que eu pudesse, ainda que em caráter de cumprir com um trabalho acadêmico, aprofundar um pouco mais meus conhecimentos. Dos livros pesquisados, foram escolhidas as seguintes definições sobre Animus e Anima:

  1. Dentre esses arquétipos há sobretudo dois investidos de grande significado, pois, pertencendo por um lado à personalidade, e por outro estando enraizados no inconsciente coletivo, eles constroem uma espécie de elo de ligação ou ponte entre o pessoa e o impessoal, bem como entre o consciente e o inconsciente. Estas duas figuras – uma é masculina, a outra feminina – foram denominadas de animus e anima por Jung (EMMA, 2006, p.16).

  2. A vida está baseada na combinação harmônica das energias masculinas e femininas também no interior do indivíduo. Produzir a união desses contrários é uma das tarefas mais importantes da psicoterapia atual (EMMA, 2006, p.99).

  3. Cada homem sempre carregou dentro de si a imagem da mulher. O mesmo vale também para a mulher, pois também ela carrega igualmente dentro de si uma imagem inata do homem (JUNG, 2019, p.210-211).

  4. Anima é a índole erótica e emocional, enquanto que o animus é de caráter raciocinador (JUNG, 2019,p. 211).

  5. A segunda etapa do processo de individuação é marcada pelo encontro com a configuração da “imagem da alma”, chamada por Jung, no homem, de anima, e, na mulher, de animus (JACOBI, 2013,p. 199).

  6. No animus como na anima existem as duas formas fundamentais da figura clara e escura, da figura “superior” e “inferior”, com sinais prévios positivos ou negativos (JACOBI, 2013, p. 204).

  7. Quando o inconsciente mistura o masculino e o feminino, tudo se torna indiferenciado [...] Aí está a condição primordial das coisas que é também por si um fim ideal, por ser a integração de elementos eternamente opostos (JUNG, 2017, p.95).

  8. O nome latino animus, espírito, e anima, alma têm o mesmo significado do grego anemos, vento. A outra palavra grega que designa o vento, pneuma, significa também espírito (JUNG, 1984, p.290).

  9. A anima, sendo feminina, é a figura que compensa a consciência masculina. Na mulher, a figura compensadora é de caráter masculino e pode ser designada pelo nome de animus (JUNG, 2015, p. 96).

  10. Anima e animus são formas vitais básicas e somam-se a outras influências de grande impacto sobre indivíduos e sociedades humanas (STEIN, 2006, p. 117).

  11. Como estrutura psíquica, anima/us é o instrumento pelo qual homens e mulheres penetram nas partes mais profundas de suas naturezas psicológicas e se adaptam a elas (STEIN, 2006, p.120).

  12. A característica do inconsciente no homem é feminina e, na mulher, masculina; por isso a personificação do inconsciente no homem é um ser feminino [...] ( JUNG, 1985, p.12).

  13. Anima se refere-se, sobretudo, ao princípio vital, ou princípio da vida, como Jung o enfatizou muitas vezes (FRANZ, Marie-Louise Von, 2016, p.191).


Ou seja, como se pode perceber, tanto o Caibalion, quanto a Psicologia Analítica discorrem que os princípios masculino e feminino estão presentes e se manifestam em diversas formas de vida. Numa esfera maior, esse princípio nos dá a possibilidade de nos conectarmos ao Todo, assim como na nossa esfera da psique nos dá a possibilidade de nos entendermos dentro do nosso processo de individuação.

Tanto o Caibalion, quanto Jung, discorrem sobre a importância da atuação equilibrada do Princípio do Gênero, quanto da Anima e do Animus, respectivamente. Somente quando há o equilíbrio entre esses princípios dentro de nós que é possível avançarmos em direção ao Todo.

Foi possível observar nas duas teorias que esses princípios do feminino e do masculino, apesar de inseridos numa ideia de polaridade (positivo x negativo; ying x yang, dentre outros) são necessários para que haja criação. Isso pois, nenhum dos dois polos é capaz de existir sem o outro. Caso haja a preponderância de um polo sobre o outro, não haverá harmonia, não haverá criação.

Nas duas teorias também foi possível perceber a importância de se evidenciar que esse Gênero, mencionado pelo Caibalion e por Jung não se refere a sexualidade, no aspecto físico de homem e mulher, mas sim as energias, vibrações e polaridades.

No universo, tudo que possui vida, assim como os serres humanos, contém aspectos masculinos e femininos, independentemente do seu gênero físico. Ou seja, nenhum ser humano é 100% masculino ou 100% feminino. De fato, é a combinação entre esses dois gêneros que faz com que o universo possa se mover de maneira harmoniosa.

Também foi possível observar que esses princípios do masculino (animus) e feminino (anima) são aplicados em todos os planos, sendo no plano físico com a função de gerar novos corpos, no plano mental de regeneração e no espiritual e criação.

Nesse sentido, após esses estudos ficou evidente a necessidade de nos sensibilizarmos, cada vez mais, para captarmos os ensinamentos desse Princípio do Gênero diante do universo, do mundo e da vida (coletiva e individual). Também ficou evidente a necessidade de aprofundarmos nossos conhecimentos sobre nossos aspectos de Animus e Anima e conseguirmos elevar nossa psique para um patamar cada vez mais superior e que nos auxilie a ir de encontro ao Todo (Divino, Deus).

Para Jung a figura arquetípica animus se refere ao “espírito” e a anima a “guia da alma”, o que traz até nosso entendimento as imagens arquetípicas do masculino e do feminino. A conexão entre o Animus e a Anima é um elemento indispensável para que se tenha uma personalidade equilibrada. É preciso haver o equilíbrio entre essas duas energias ou nada poderá ser, de fato, criado e ter o equilíbrio necessário que requer a constituição de um ser pleno.

Nesse sentido, foi possível observar que tanto O Caibalion, quanto a teoria de Jung perpassam por caminhos semelhantes e buscam dar a luz aos homens (que assim desejam) sobre a importância do refinamento do olhar, do sentir, do pensar/refletir e do agir diante do Todo e diante de si mesmo.

O reconhecimento e o respeito acerca da importância do Princípio do Gênero e da existência e funções primordiais da Anima e do Animus nos permite acessarmos um crescimento intelectual e espiritual.

Por fim, não poderia deixar de ressaltar essa experiência fantástica de poder aferir que grandes Leis e grandes Homens sempre estiveram plenos e unos com o Todo, cada qual com sua maneira de dizer, mas de fato todos eles trazendo para a humanidade ensinamentos que podem guiar o caminhar de cada ser humano em direção ao alcance de sua plenitude, enquanto espírito que deseja estar uno com o o Todo, com o Divino.


REFERÊNCIAS:

ACADEMIA DE TERAPEUTAS. Pressupostos Teóricos III. Brasília, 2019.

EMMA, Jung. Animus e Anima. São Paulo: Cultrix, 2006.

FRANZ, Marie-Louise Von. A tipologia de Jung: ensaios sobre psicologia analítica. São Paulo: Cultrix, 2016.

JOLANDE JACOBI. A psicologia de C.G. Jung: Uma introdução às obras completas. Rio de Janeiro: Vozes, 2013.

JUNG, Carl Gustav. A natureza da Psique. Petrópolis: Vozes, 1984.

_______________. A prática da psicoterapia: contribuições ao problema da psicoterapia e a psicologia da transferência. Petrópolis: Vozes, 1985.

_______________. O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis: Vozes, 2013.

_______________. O eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2017.

_______________. Os fundamentos da psicologia analítica. Petrópolis: Vozes, 2017.

TRÊS INICIADOS: O Caibalion: estudo da filosofia hermética do antigo Egito e da Grécia. 31. Ed. São Paulo: Pensamento, 2001.


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